Caso clínico – Mordida Aberta – Falta de desenvolvimento de 2º grau

Autores: Dr.Renato Chierighini e Dra.Maria Célia Simões Monteiro dos Santos Chierighini


Paciente com 4 anos de idade. Quadro clínico de mordida aberta; cruzamento bilateral (LD e canino LE); perfil de mesioclusão. A paciente tinha grande dificuldade para fazer os movimentos de lateralidade; não se alimentava bem; chupava chupeta e possuia deglutição atípica e interposição de língua na fala.

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Clinicamente a paciente apresentava um perfil de mesioclusão, com grande hipotonicidade facial. Tinha cruzamento bilateral, anterior e mordida aberta (falta de desenvolvimento vertical de pré-maxila). As fotos acima (principalmente as lateralidades direita e esquerda) foram tomadas com grande dificuldade, pois a paciente não tinha a menor coordenação para executar esses movimentos. No diagnóstico funcional, detectamos uma “dupla-oclusão” (havia contatos prematuros nos caninos e molares). A foto central (acima) mostra sua oclusão funcional.

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As fotos acima mostram o caso após a primeira sessão de ajustes oclusais. Observamos que, depois de eliminada a “dupla-oclusão”, a paciente apresentava somente um cruzamento do dente 64. Fizemos então um “prolongamento” da coroa desse molar com resina composta. Em seguida, fizemos os ajustes oclusais em lateralidade, procurando diminuir o máximo possível os AFMP’s (ângulos funcionais mastigatórios Planas).

Após 3 meses, a paciente já apresentava uma grande melhora, como se pode observar nas fotos abaixo.

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Os movimentos de lateralidade já eram efetuados expontaneamente pela paciente. Houve uma grande melhora da mordida aberta. No entanto, ainda não havíamos conseguido o “esfregamento” dos incisivos. Seguimos monitorando o caso e fazendo pequenos ajustes oclusais quando necessário. Após 8 meses do início do tratamento, finalmente conseguimos os primeiros contatos dos incisivos (fotos abaixo).

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Somente a partir desse momento (fotos acima) a paciente abandonou o hábito de chupar chupeta, evidenciando que o único responsável pelo estímulo de desenvolvimento vertical da pré-maxila foi o ajuste oclusal, proporcionando o chamado “bombeamento” das terminações nervosas das articulações têmporo-mandibulares (através dos movimentos de lateralidade) e das terminações do periodonto de todos os dentes (através do “esfregamento” dental).

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As fotos acima mostram o caso após 11 meses do início do tratamento. Continuamos monitorando o caso de 3 em 3 meses. As fotos abaixo mostram o caso após 1 ano e 11 meses do início do tratamento.

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CONCLUSÕES

Seguindo os conceitos da Reabilitação Neuro-Oclusal (RNO) foi possível atuar precocemente em um caso cuja evolução seria uma grave mesioclusão associada a uma mordida aberta. Ao aplicarmos clinicamente esses conceitos, atuamos de forma decisiva na reversão do problema sem, no entanto, necessitarmos de aparatologias. Este é um exemplo de uma “falta de desenvolvimento de 2o. grau” e nos mostra mais uma vez que Dr. Planas tinha toda a razão quando nos dizia: “No hay que esperar”.

Ref. Bibliográfica: “Rehabilitação Neuro-Oclusal – Pedro Planas”

Renato Chierighini / Maria Célia S.M.S.Chierighini

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