Caso clínico – Mesioclusão – Tratamento com recurso de resina composta

Autor: Dr. Renato Chierighini


676_1Paciente G.R,com 9 anos de idade. Quadro clínico de mesioclusão com cruzamento anterior e lado esquerdo. Sabemos que nesses casos, a grande amplitude de movimentos mandibulares decorrente do cruzamento leva o paciente gradativamente a um quadro clínico de falta de desenvolvimento maxilar (generalizada), podendo chegar na fase adulta a um hiperdesenvolvimento mandibular associado. Clinicamente o paciente apresentava um perfil de mesioclusão, com grande liberdade de movimentos mandibulares. Seu plano oclusal era favorável (paralelo ao plano de Camper). No entanto, já existia uma falta de desenvolvimento da maxila e uma patologia funcional pois, nas excurções laterais, não havia função de grupo na lateralidade esquerda (devido ao cruzamento), não havia o “esfregamento” da região incisiva (decorrente do cruzamento anterior) e não havia “esfregamento” em ambos os lados de balanceio.

676_2De acordo com o capítulo da “Gênese do Sistema Estomatognático” do Livro “Reabilitação Neuro-Oclusal” do Dr.Planas, desde o início da dentição decídua, é necessário que haja os movimentos de lateralidade com oclusão bi-balanceada para que o desenvolvimento maxilo-mandibular seja adequado. Além disso o atrito proporcionado pela mastigação orientará o estabelecimento do plano oclusal. Na falta desses estímulos, teremos um atraso no desenvolvimento e, consequentemente ocorrerão modificações de posição dental em função desse atraso. A alteração de posicionamento dental, associada à falta do desgaste fisiológico dos dentes ocasiona a chamada “dupla-oclusão”.

676_3Ao fazermos a manipulação mandibular deste paciente notamos que sua oclusão cêntrica não era coincidente com a oclusão funcional. Primeiramente havia um contato dos incisivos e, de acordo com a Lei da Mínima Dimensão Vertical, a mandíbula procura uma nova posição onde haja a menor dimensão vertical. Neste caso a mandíbula se deslocava anteriormente, causando a chamada “falsa mesioclusão”. Na verdade trata-se de uma mesioclusão postural. Nestes casos, se não atuarmos rapidamente o que inicialmente é postural, passará com o tempo a ser uma mesioclusão “verdadeira”.

Neste caso não podíamos eliminar esta “dupla-oclusão” com ajustes oclusais, pois a mesma acontecia em dentes permanentes (incisivos) e, além disso, esses incisivos não estavam totalmente erupcionados. Optamos então por “criar uma dupla-oclusão” que levasse a mandíbula a sua posição centralizada. Com o prolongamento da coroa dos incisivos inferiores, fizemos um plano inclinado (fotos abaixo).

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Após esse procedimento, observamos que o paciente só possuia contatos de incisivos, com uma desoclusão de todos os outros dentes. Pedimos para que o paciente voltasse no dia seguinte. As fotos abaixo mostram o resultado após 24 horas.

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No dia seguinte já existiam os contatos plenos de todos os dentes; a relação incisiva já havia se modificado e pudemos, então, diminuir o plano inclinado de incisivos e iniciar os ajustes oclusais para darmos melhores condições de “recorrido”. No entanto, ainda não havíamos conseguido uma oclusão bi-balanceada, pois não havia “esfregamento” no balanceio.O paciente foi atendido mais 2 vezes e vários ajustes oclusais foram feitos e após 1 mês do início do tratamento sua situação era essa (fotos abaixo):

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Observe-se que agora conseguimos devolver as condições básicas de equilíbrio oclusal (trabalho, bordo-a-bordo, e balanceio).

CONCLUSÕES

1) É fundamental que se obtenha um diagnóstico preciso para podermos optar pela melhor técnica. O “diagnóstico funcional” foi decisivo neste caso.

2) O ajuste oclusal e os recursos de resina composta são poderosíssimas armas no tratamento precoce desde que se tenha em mente os princípios da Reabilitação Neuro-Oclusal.

Ref. Bibliográfica: “Rehabilitação Neuro-Oclusal – Pedro Planas”

Renato Chierighini / Maria Célia S.M.S. Chierighini

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