Caso clínico – Falta de desenvolvimento de 1o. grau

Autores: Dr.Renato Chierighini e Dra.Maria Célia Simões Monteiro dos Santos Chierighini


Segundo Dr.Pedro Planas, a falta de desenvolvimento de 1o. grau é aquela em que estamos diante de casos de dentadura decídua; as análises radiográficas e gnatostáticas não indicam alterações de desenvolvimento e clínicamente existe uma normoclusão, sem assimetrias e sem má-posições dentárias. No entanto, ao fazermos o “diagnóstico funcional”, observamos que o paciente tem grande limitação de movimentos de lateralidade mandibular (a também chamada “verticalização de mastigação”) e, ao pedirmos para o paciente simular esses movimentos, notamos que o mesmo não possue o equilíbrio funcional mastigatório, magnificamente descrito por Gysi e Hanau. Esse equilíbrio pressupõe: 1) Oclusão cêntrica igual à oclusão funcional; 2) Função de grupo no lado de trabalho em ambas as lateralidades; 3) “Esfregamento” de incisivos, terminando em uma relação topo-a-topo; 4) “Esfregamento” de todos os dentes no lado de balanceio em ambas as lateralidades (excetuando-se o canino); e, 5) Ângulos funcionais mastigatórios Planas iguais em ambas as lateralidades.

Em seu livro “Reabilitação Neuro-Oclusal (RNO)” Dr. Planas argumenta que, em condições ideais, a alimentação consistente (alimentos duros, secos e fibrosos) faz com que o desgaste fisiológico e natural dos dentes mantenha o equilíbrio funcional mastigatório (oclusão bi-balanceada). Como o homem moderno modificou drasticamente seu padrão alimentar (sua alimentação atual é muito pobre em fibras e muito pouco consistente), esse desgaste natural deixou de acontecer, fazendo com o que o indivíduo tivesse o “travamento” dos movimentos de lateralidade.

A figura abaixo exemplifica um caso de falta de desenvolvimento de 1o. grau.

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Paciente com 5 anos de idade. Não apresentava nenhum problema respiratório ou fonoaudiológic e não tinha sido amamentado naturalmente, pois trata-se de um garoto recolhido (logo ao nascer) em um abrigo para menores . A responsável nos relatou que o mesmo “comia pouco e tinha pouco apetite, e que não comia verduras, legumes e carnes mais duras” (sic).Não apresentava nenhuma alteração morfológica. Tinha uma normoclusão, com chave de molar classe I bilateral e arcadas harmônicas, sem sinais de assimetrias. No entanto, ao realizarmos o diagnóstico funcional, notamos a falta de função de grupo em trabalho e balanceio e também uma falta de “esfregamento” de incisivos em ambos os movimentos de lateralidade (havia somente “desoclusão canina”). Ao observarmos os AFMP’s constatamos que os mesmos eram bastante acentuados, sendo que o “lado da mínima dimensão vertical” era o lado esquerdo do paciente. Para a RNO, esse caso já apresenta uma patologia funcional.

Seguindo o protocolo de ajustes oclusais na falta de desenvolvimento de primeiro grau, verificamos se havia a “dupla-oclusão” (não coincidência entre a oclusão cêntrica e a oclusão funcional). Fazendo a chamada “manipulação mandibular” detectamos e eliminamos a dupla oclusão. Em seguida iniciamos os ajustes oclusais (pelo lado direito – lado da maior dimensão vertical), procurando devolver as condições de equilíbrio. Inicialmente os ajustes foram feitos nos caninos e, na sequência, os molares e incisivos também começaram a participar do esfregamento dental. O mesmo procedimento foi feito do lado esquerdo do paciente. As fotos abaixo mostram o resultado após o ajuste oclusal (que foi feito, neste caso, em 1 única consulta).

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Conseguimos com os ajustes devolver a essa boca o equilíbrio funcional mastigatório, com função de grupo em trabalho e balanceio e esfregamento de incisivos terminando em topo-a-topo. Além disso, igualamos e diminuimos sensivelmente seus ângulos funcionais mastigatórios Planas, permitindo com isso uma maior amplitude e eficiência dos movimentos de lateralidade mandibular. Em seu primeiro retorno à clínica (após 1 mês dos ajustes) o paciente fazia facilmente os movimentos de lateralidade e sua responsável nos relatou uma grande mudança em seu apetite. Continuaremos controlando este paciente de 3 em 3 meses e fazendo ajustes oclusais, se necessário.

Segundo Dr.Planas, este é um procedimento simples e eficientíssimo para se prevenir problemas periodontais e ortodônticos…a área mais nobre de atuação da Reabilitação Neuro-Oclusal.

Ref.Bibliográfica: “Rehabilitação Neuro-Oclusal – Pedro Planas”

Renato Chierighini / Maria Célia S.M.S.Chierighini

 

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