Atrofia de 3º GRAU – RELATO DE UM CASO CLÍNICO

Autores: Dr.Peter John Buelau e Dra.Maria Isaura Monteiro Buelau


Atrofias de 3º Grau

As atrofias ou subdesenvolvimentos de 3º grau, segundo Dr. Pedro Planas, caracterizam-se por apresentarem uma grande distoclusão, endognatia superior e sobremordida profundas. A curva do plano oclusal inferior é muito acentuada, o que pode ser visualizado quando solicitamos ao paciente que execute uma protrusão até que os incisivos estejam topo a topo.

Através da análise dos modelos gnatostáticos poderemos confirmar a desarmonia de desenvolvimento transversal entre as arcadas superior e inferior, e, o que é mais importante, que o plano oclusal não é paralelo ao plano de Camper. Esta é a lesão que mais nos interessa corrigir para evitarmos no futuro o desquilíbrio oclusal, pois da situação do plano oclusal, dependerá a possibilidade ou não de equilibrarmos esta boca na idade adulta.

Devido à esta patologia, a mandíbula não se move lateralmente e em conseqüência os côndilos não são excitados, não há esfregamento oclusal, o subdesenvolvimento se mantem e o padrão mastigatório é falso.

O tratamento consiste na colocação de um equi-Plan que corrigirá a sobremordida de incisivos, regularizará a curva oclusal inferior, corrigirá a distoclusão e funcionalizará as ATMs. Tudo isso ocorre quase que exclusivamente na mandíbula, o que confirma as Leis Planas de desenvolvimento.

É muito importante que antes, durante e após esta regularização do plano oclusal e da sobremordida, sejam feitos os devidos desgastes seletivos para liberar a mandíbula das interferências nos movimentos de lateralidade. Conseguiremos assim estimular um avanço da mandíbula, maior desenvolvimento póstero-anterior e tranversal, e a conseqüente melhoria na situação do plano oclusal.

Relato do caso clínico

Paciente do sexo masculino, 6 anos de idade. Apresentava uma falta de desenvolvimento generalizada, sobremordida profunda, distoclusão, endognatia superior e inferior, movimentos de lateralidade bastante comprometidos (excursão dos caninos inferiores por distal dos superiores), e situação do plano oclusal muito ruim (curva oclusal inferior acentuada e grande afastamento das arcadas no lado de balanceio durante os movimentos de lateralidade).

Os pais nos procuraram porque a criança apresentava um quadro de desnutrição devido à dificuldade de mastigação. Não apresentava alterações respiratórias graves, mas problemas posturais e hábito alimentar limitado somente a ingestão de alimentos pastosos ou líquidos, o que contribuiu para o agravamento do quadro clínico.

Fotos iniciais – 08/12/98
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O tratamento foi feito com aparatologia e principalmente desgastes seletivos, que permitiram uma maior liberdade nos movimentos de lateralidade e melhora na eficiência mastigatória.

Decorridos 6 meses após o início do tratamento, obtivemos um grande desenvolvimento póstero-anterior , transversal e vertical, além de uma mudança de postura e principalmente de hábitos alimentares. Através das fotos pode-se observar que os movimentos de lateralidade D e E estão mais livres, os caninos inferiores agora excursionam por mesial dos superiores (lador D ainda em topo) e a curva oclusal inferior está mais regularizada.

6 meses – 24/06/99
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Achamos interessante observar as alterações de postura de cabeça e mandíbula nos períodos de 4 e 6 meses após o início do tratamento. Além dessas modificações, pudemos também observar que a criança teve todo o seu crescimento e desenvolvimento acelerados, fato muito comentado pelos pais, que inclusive relataram uma mudança no comportamento que de introvertido tornou-se mais seguro e sociável.

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O tratamento segue ainda dentro dos princípios da RNO, com aparatologia e os desgastes seletivos necessários, sempre com o objetivo de regularizar o plano oclusal e dar liberdade de movimentos para a mandíbula.

As fotos abaixo mostram uma grande melhora na sobremordida, movimentos de lateralidade D e E bibalanceados, e um bom desenvolvimento transversal, póstero-anterior e vertical.

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Conclusões

A RNO nos dá meios para intervirmos precocemente para o estabelecimento de uma oclusão funcionalmente equilibrada segundo Gysi, fator imprescindível para o bom desenvolvimento do sistema estomatognático e manutenção da saúde bucal para toda a vida.

Casos como este apresentado são cada vez mais freqüentes na nossa clínica diária e se não forem tratados o mais cedo possível, dificilmente terão no futuro, mesmo com tratamentos ortodônticos, um equilíbrio funcional, fator imprescindível para a prevenção de problemas periodontais, da ATM e recidivas.

Ref.Bibliográfica: “Rehabilitação Neuro-Oclusal – Pedro Planas”

Peter John Buelau / Maria Isaura Monteiro Buelau

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